sexta-feira, 4 de abril de 2008

Noite fria

A bebida desce fácil e aquece nessas noites frias e chuvosas de outono. Arrepio pela memória que não permite esquecê-lo.

“Adoro passar as noites de chuva ao seu lado.”

Sempre dizia isso ao seu ouvido. Dizia pelo sorriso que tentava esconder, maroto e de canto.

Peço mais uma dose de uísque, enquanto dedilho o celular, buscando coragem e pensando se ligo ou não.

Ouvir um não por si só, não me assusta tanto. Estou tremendo pela possibilidade do sim, que certamente faria minha noite valer a pena.

...

Vejo um casal sentado a minha frente. Penso no meu acompanhante ao meu lado, esse que esquenta meu coração e mantêm minha pele fria. O que marca minhas costas e não me dá seu pau para minha boca.

Estou cansada de suas palavras bonitas. Elas não estão servindo para este frio que está além da noite, que trinca meus ossos e faz minha pele gritar por ele.

...

Ele atende. Diz que está acompanhado. Desligo.

Sendo mentira ou não. Não ouço mais o que poderia ter a me dizer. Que busque nos braços alheios o que certamente não terá de mim. Essas sombras.

Viro de uma vez meu uísque e carrego meu parceiro debaixo do braço.

Que a literatura e o lindo poeta morto, seja o prelúdio de minha masturbação noturna de hoje.

2 comentários:

[angelica] disse...

quem era o poeta morto?

eu chutaria Neruda...

Narjara disse...

Acho que o poeta é outro... mas tudo bem!!! Adoro seus textos! bjo grande!