quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Rastros

Marina estava escolhendo uma música em sua lista. Passou pelas brasileiras, passou pelo Jazz, pelos clássicos e começou a notar que poucas músicas eram realmente dela. Quem havia colocado tantas bandas desconhecidas, tantos estilos que ela havia escutado apenas algumas vezes e com quem?

Pj Harvey ela havia escutado muito com Denis, Aaron Thomas tinha sido baixado por Felipe, assim como She Wants Revenge. Jorge tinha passado um período breve e inquietante com o som de Rachel Yamagata e Yael Naim. Aos poucos foi percebendo que aqueles homens marcaram a memória de seu Mac mais do que sua pele.

Resolveu pegar um livro em sua estante. Leu García Lorca após a peça Yerma de Santiago. Tudo que já tinha lido de Neruda havia se transformado em uma tarde com cheiro de cigarro de palha e maresia com Tadeu. Cansou dos livros.

Deveria se vestir e ir a um café, lembrar do gosto do beijo de Henrique misturado ao tabaco? Ir ao CCBB e lembrar de quando sentiu as mãos de Danilo, debaixo de sua saia, enquanto tentava se concentrar a mostra de filmes franceses?

Esse mosaico de homens havia desejado-a, alguns a amaram. Deixou um sorriso esboçar o seu rosto enquanto se vestia, desnudando-se das memórias.

- Que venham e me completem, quero alguém que me pinte, que me fotografe. Estou cansada de ver fotos e não sentir nada.

3 comentários:

tatiana reis disse...

ah esses retalhos que a gente carrega, lispector veio com um, escher com outro, pixies com outro, quadrinhos de putaria com outro, capuccinos, lamb, calmarias e todas borboletas bailantes no estômago. retalhos.

A unica coisa que não gosto é quando o camarada vem dizer "viu??? vc só está assim-assado pq eu te deixei levar o bom disco do Noel" ( preguiça)

piotr disse...

porra tati, olha o rancor...cuidado que a gente reconhece essas falas hein?!
hehe

Mah disse...

que falta faziam as palavras desse carioca, que sem querer, aprendeu a exalar o cerrado.

muito bom. como sempre.