quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Amendoeiras


Senti o aroma de amêndoas quando fixei meu olhar no aguar dos olhos de minha amiga, quando fez seu comentário.

“Vejo o Rio como um amante.”

O ano está acabando e os convites vêm de todos os lados. Minha prima, as amigas dela, minha avó, minha família e começo a perceber que os paralelepípedos com suas frestas ocupadas com caroços de amêndoas também.

Disse para mim mesmo que irei abolir o ritual sacrificado de despedir-me do Rio que todos os anos faço do mesmo modo. O sentar nas areias de Copacabana, que descobri ontem ser um plágio made in Brasilis, olhar o mar e chorar copiosamente.

“Meu filho se quiser voltar para o Rio, podemos dar um jeito enquanto procura como se estabilizar.”

Essas sempre são as palavras da mulher que mais amo desta família. E sempre grito dentro de mim para ficar calado e não deitar em seu colo pedindo sua benção.

“Ficarei bem Dona Ana. Nos vemos no ano que vem. Vó...”
“Também te amo meu filho.”

Crescer e ser criado no Rio de Janeiro é saber o que é cruzar o aterro do Flamengo aos gritos com seus primos atrás de ti em um pique-pega. É fazer da praia castelinhos de areia e água. Caçar Tatuís após a chuva. Receber bom dia de todos que passam perto de você. Pegar ônibus sem blusa e pingando de sal. Entrar no shopping para fugir do calor. Noites sem fim e amanhecer de preguiça no ar condicionado. É olhar as amendoeiras cobrindo o chão em um misto de areia, vãos e flor.

5 comentários:

Amanda Carvalho disse...

Difícil ficar longe de quem gostamos né?! Sinto a mesma coisa quando vou a São Paulo. Mas é uma "esforço" necessário =)

tatiana reis disse...

Lindo zé! Eu tinha esquecido que a tua malemolência tinha mesmo vindo de lá!

Lara disse...

A carioca aqui... ficou com os olhos marejados.
=]

Mah disse...

lindo.

:~~

o cheirinho do Rio tá mais perto do que você imagina

=)

Maria Linda Maria disse...

Oi meu querido! Muito bom ter suas visitas no blog. Havia tempo que não vinha aqui. Me emocionei com seu texto. A saudade da terra natal aperta o peito e quase sufoca. Precisamos ser fortes e sérios quando apenas queremos ser tristes e chorar de saudade do carinho da avó.

Muitos beijos!