sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Ligação

- Alô...
- Sonhei com você.
- O quê?
- Sonhei com você, estava sonhando com você.
- Que horas são?
- Três e vinte e sete.
- Tá tudo bem?
- Não.
- Aham.
- Tinha assistido um bom filme, estava bem acompanhada e então acordo chorando porque sonhei contigo. Odeio isso.
- Você não estava bem acompanhada.
- Você não sabe. Foi uma excelente companhia, boas conversas.
- Mas você me liga as três da manhã.
- Não por ele ter sido uma má companhia.
- Não disse que era má. Disse que não era boa.

...

- Se realmente tivesse sido boa, estaria ao seu lado na cama. E certamente você não estaria me ligando.

4 comentários:

Amanda Carvalho disse...

hahahaha bom diálogo!

o morto disse...

roubei alguns links...

abraço,

j.

tatiana reis disse...

sempre pulo com o coração na boca...
gostei!

Tolo disse...

zeduardo e o sujeito unificado. rola uma constante nas personagens descritas nesse blog que as vezes me estranha. soam como se fossem sempre no controle de si, como se nunca duvidassem de si, sem vozes dissoantes dentro de si, sem admitir que os outros sejam tao fudidamente confusos quanto nos mesmos, e tao bons em esconder como qualquer um. ou entao apelam pra carta da constancia alheia, como uma maneira de se manter importante no coracao dos outros... curioso porque o autor, que eh um cara vivido e tao ou mais confuso das coisas do coracao quanto qualquer outro, sabe que a complicacao dos afetos pode salvar um paragrafo solto, e a simplicidade ingenua pode matar toda uma saga.

saudade, seu canalha