terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Horror - parte 1

O homem alto em pé ao lado do bar deixava o seu olhar para a pista de dança do Gates. Hoje era uma daquelas noites agitadas onde várias pessoas se agitavam ao som de Rain Down e em particular uma menina de cabelo em um corte que dizia ter sido um moicano há uns três meses atrás.

Ela tinha deixado de dançar sozinha há algum tempo. Tentava continuar olhando para a pista ou talvez seus pés mas por duas ou incontáveis vezes o olhar estava preso no homem magro de bermudas e regata que a encarava como se ela dançasse sozinha.

Ela passou por perto dele, o suficiente para que ele notasse ela suada encostando de leve o seu ombro com o dele enquanto esperava ser atendida. A longneck de Stella estava estupidamente gelada quando ela brindou com o desconhecido sorrindo.

- Tá quente demais aqui para ficar sem um drinque.
- Não bebo.
- Sério? Essa saúde toda é para manter a forma ou só não aprendeu com quem beber ainda?

O sorriso do homem mostrou dentes impecavelmente brancos. Tão lisos que ela ficou pensando em como seria passar a língua por eles. Estava excitada e mordeu os lábios sem querer.

- Vamos para a pista?

O homem a segurou pelo pulso. Ele tinha uma pele macia e era firme o bastante para não suar ao tocá-la como todos os meninos que já tinha ficado. Ela abriu os olhos um instante antes de beijá-lo e ele tinha a língua mais vermelha que já tinha visto. O beijo a deixou desorientada e arrepiada por inteira. Ela estava ouvindo de longe alguma música que não conseguia mais identificar.

- Quer sair daqui?

Ela iria para qualquer lugar com esse homem. Pertencia a ele. E ele sabia disso, por que esse jogo de perguntas?

...

Ela não se lembrava de como tinha chegado nesse apartamento, nem onde estavam suas roupas. Ela estava com frio e sentia seu ombro dormente até o pulso como a sensação de dormir por cima do próprio braço por horas. Tentou se levantar mas não tinha ânimo algum e quando tentava olhar em volta tudo que seus olhos focavam era um lençol fino e molhado.

- Droga... Eu me mijei? Alô? Ei...

Ela colocou as mãos no lençol e sentiu ele empapado e grudento, quando olhou com calma notou que ele estava sujo de sangue. Estava com muito sono e tentou ficar acordada e olhar com firmeza para o lençol. Sangue era muito sangue.

- Céus... Meu Deus... Meu Deus...

A porta abriu e ela viu saindo do banheiro o homem da noite anterior, molhado como quem acabasse de sair do banho e ainda assustadoramente atraente. Tinha os olhos fixo ao sangue nos lençóis e então agachou ao lado da menina.

- Dormiu bem Thaís?
- Eu... Preciso de ajuda. Por favor... Por favor... Não vou falar nada para ninguém. Por favor!

Ele levantou a mão como quem pedisse silêncio e de repente pareceu meio triste como se lembrasse de algo distante e absurdamente doloroso.

- Você deve conhecer todos os filmes, livros e séries que fazem sobre nós hoje em dia não é mesmo? Nunca estivemos tão populares.

Thaís olhou para seu pulso e então percebeu que ele tinha sofrido diversos cortes, notou que a seu lado existia duas facas e alguns cordões de borracha soltas pela cama.

- Ah sim... Não temos as famosas presas que vocês tanto amam ver nas telas. Por que iríamos ter? De que vale essa associação com ereção para corpos mortos?

Ela iria começar a gritar mas ele a calou rapidamente e com força e então foi se aproximando devagar e com um carinho que ela não imaginou ser possível.

- Mas não se preocupe você não vai morrer Thaís. Como disse estamos na moda e precisamos de um pequeno momento juntos para te mostrar um mundo novo. Vou te manter calada porque infelizmente vai doer, e muito, por um instante.

Ele afundou os dentes em seu pescoço travando como uma prensa e ato contínuo arrancou um naco de carne, veias e sangue. Se Thaís agradeceu por algo foi ter desmaiado em segundos.

continua...

2 comentários:

Piotr disse...

Nerd, baitola e oportunista...porra Zé!

Sentimental ♥ disse...

o continua então é o the end? rs