segunda-feira, 4 de maio de 2009

Fim de campeonato

Fim do campeonato carioca. O Flamengo fez sofrer Botafoguenses e Flamenguistas indo à defesa por pênaltis antecipando o Tricampeonato. Já estava meio alto, passei a tarde assistindo com os amigos e entre o fumar de um baseado e o beliscar de uma lasanha, estava roendo as unhas que doíam de curtas no momento.

Fui desligar a televisão, era domingo e agüentar Faustão definitivamente não estava nos planos. Os amigos se foram e então decidi fazer uma gelatina na esperança de apreciar o glutanismo noturno quando comecei a ouvir os gritos.

Uma menina do prédio em frente gritava ao celular, estava na varanda e a acústica do final da asa norte permitia ouvir toda a discussão. O namorado não tinha voltado, disse que iria em algum lugar e no momento se encontrava no meio da Esplanada enquanto a menina estava trancada no apartamento.

Deixou claro que não era palhaça. Ditou prazo de cinco minutos com a certeza que caso se atrasasse qualquer um segundo a mais, iria terminar com o namoro. Depois mudou para quebrar a casa, que ele não a conhecia, fez e aconteceu. Fez o Diabo.

Comecei a pensar em meu apartamento. Caso quebrassem ele inteiro seria um problema e iria ficar muito triste, comecei a me sensibilizar com o camarada do apartamento em frente. Comecei a pensar em quais seriam os motivos para ele não chegar a tempo e deixar a iconoclasta dentro de seu lar.

Será que ele era Flamenguista e estava comemorando com os amigos? Mas se era, porque não assistiu ao jogo em casa? Teria saído no intervalo e parou para ver em qualquer outro lugar? Teria conhecido em um bar uma menina de pernas grossas e voz suave que decidiu continuar bebendo com ele na Esplanada, talvez um sexo apressado no carro ou apenas um guloso?

E se fosse Botafoguense? Além de perder o campeonato voltaria para casa para ouvir ainda mais desaforos? Esperei com fé que estivesse bêbado em um estado não agressivo, mas confesso que fiquei pensando em ouvir qualquer barulho com o 190 de prontidão no celular. A polícia receberia a cobrar?

Sei que no final das contas ouvi mais umas discussões quando o cara chegou 37 minutos após o prazo estabelecido pela namorada. Ela dizia que não era palhaça, que aquele relacionamento havia acabado, que ele era um escroto, sem noção, responsabilidade e integridade. Foi gritando para a rua dizendo acabou. Acabou!

Minutos depois estavam urrando pela janela, trepando para que todos ouvissem que estavam em paz. É... Vale a pena perdoar um homem ao fim de um campeonato.

Um comentário:

Rosa disse...

Texto engraçado e esplendoroso! Uma briga banal, depois o gozo para dissipar a tormenta.

Beijos.