segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

3D (Blé)



Que filme ruim!

...

Tirando o fato do convite ter partido de alguém que eu gosto muito e por conta do Correio Vip eu ter pago meia, não tenho muito o que dizer a favor desse assombro visual de três horas.

Verdade seja dita. Muito bem feito, os passos para aproximar a animação gráfica do verossímil está cada dia melhor e os efeitos 3D valem a pena o ingresso (meia ou inteira para quem queira ou possa), você passa uns pequenos minutos se acostumando e quando seu cérebro aceita finalmente que está sendo enganado é lindo.

Infelizmente temos pouco o que admirar além disso.

O filme é uma colcha de retalhos descarado. Não foi necessário nenhum esforço da parte dos roteiristas. Temos pitadas de Dança com Lobos, Último Samurai, Matrix, Alien, Tropas Estrelares, Pocahontas e outras que me lembrei durante o filme mas que não anotei para escrever aqui.

É tão absurdamente previsível que você se sente a beira da premonição. Aparece a enorme cabeça de um animal voador e com ela a lenda sobre aquele que o cavalgou e uniu todas as tribos. Deus... Quem será que vai conseguir montar isso novamente?

Tomando um café com minha namorada ficamos conversando sobre o que o filme poderia acrescentar. E as críticas não poderiam sair do lugar comum que é todo o filme. O mito do herói externo. Isso enche o saco.

Nunca existe a possibilidade de um povo conseguir algo por conta própria não é? Afinal, aquele que vem de fora é conquistado no cenário romântico e voilá, temos um herói digno. Afinal, não são animais, não são índios, ele é como você. Só está dentro do corpo de um ser distinto. Ah, assim tudo bem. Obvio que o "ser herói" partiu de nossa espécie.

As referências políticas e militares foram as mais hilárias (bela sacada das torres gêmeas camis, nem me toquei). Um militar malvadão que está claro que vai ser o inimigo, o inescrupuloso capitalista que só quer saber de pepitas e acha que árvores são apenas árvores.

O final do filme é quase um Vietnã. Soldados cabisbaixos que não queriam estar naquela guerra cruel. Apenas estavam cumprindo ordem, partem desolados em seus aviões, derrotados contra selvagens armados de fé, discurso e todo um planeta a seu favor.

O diretor e roteristas realmente não nos conhece como espécie não é? O final do filme seria apenas uma nave soltando ogivas nucleares contra um planeta inteiro que odeia os humanos parasitas e não uma rendição com peso na consciência. O que eles queriam era minério e não conquista de território. Essa ingenuidade é tão bonita quanto os efeitos do filme.

2 comentários:

Camila disse...

Esqueceu da incrivel semelhança do nome "JAKE" com o mocinho de um certo filme tragedia com navio gigante hahahaha

tatiana reis disse...

aaaah eu ainda vou ver essa bagaça, mas é isso, sua critica abraça a maioria das criticas que escutei de amigos de bom gosto, de no mínimo bom senso.
uh