segunda-feira, 25 de julho de 2011

Marasmo (por Diego)

Hoje fez uma noite fria no final de Julho pela Asa Norte e Diego decidiu que ficar em casa assistindo seus filmes não estava servindo para nada além de câimbras e o início de uma depressão de merda.

- Vai fazer alguma coisa hoje?
- Ah, não sei ainda. Estou esperando uma ligação.
- Eu te liguei.

Engraçado quando um cara percebe que não é a prioridade de alguém. A maioria dos homens com quem conversava diziam sempre que jamais foram a segunda opção de uma mina e ele sabia que a maioria mentia.

- Fernando tá de bobeira hoje?
- Ah gato, to aqui com o Otávio tomando umas cervas. Quer vir?
- Vocês querem ficar sozinhos?
- Claro que não! Basta vir.

Fernando era seu melhor amigo desde os 15 anos. Foi a primeira pessoa que confiou um segredo a Diego, talvez por que ser gay de fato não era nenhuma surpresa.

- Trouxe uma caixa de Heineken.
- Vou colocando na geladeira. Otávio esse é o Diego, Diego esse é o Otávio.
- Olá.
- Prazer.
- Esse é o Diego, ele trabalha com o emprego mais chato do mundo então não vou ser mal educado falando isso. – Fernando disse da cozinha enquanto buscava três latas de Skol.
- Todos os trabalhos são chatos na verdade não é? Eu trabalho no café Savana servindo mesas o que você faz?
- Sou funcionário público. Trabalho na...
- Sua cerveja querido. Ninguém quer saber o que burocratas fazem, mas nos conte, quem te deu o fora dessa vez?

Odiava parecer tão previsível assim.


- Não foi exatamente um fora.
- Aham... então sua ideia de diversão em uma sexta-feira a noite é conversar com seu amigo tomando uma cerveja?
- Qual seria o problema de tomar uma cerveja com os amigos? Preciso buscar uma balada todo final de semana, que saco!
- Diego... Te conheço desde moleque. Que tal você começar a falar logo? Não vou esperar você ficar bêbado, ainda quero transar hoje.

Algumas risadas

- Tá seu merda. Tô saindo com uma mina aí, ela é bem gata e sei lá... Queria apenas que ela pensasse um pouco mais em mim do que ela pensa nos demais, só isso.
- Tô saindo com uma mina aí... Assim você não me convence de forma alguma que ela vale a pena sequer eu dispor meu tempo em te ajudar. Essa racha tem nome? Rosto? Ou você já começou a diminuir a importância para ti? Se for assim, eu te aconselho a beber rápido, passar em algum lugar bacana com essas roupas caras que você adora e usar toda sua pose de macho alfa que você ama ser e esperar o sorriso da primeira pré-universitária que você fixar seu olhar.
- Olha eu não quero me intrometer mas concordo com o Nando. Ela é realmente importante para você?
- O nome dela é Carina e estou pensando mais nela do que eu deveria, acho que é isso.

...

- Queria que... Porra sei lá. Queria que ela tivesse me buscando sabe? Que eu fosse...
- O foco dela. A prioridade. Seu Senhor.
- Quê?
- Para de ser egoísta Diego. Se você quiser que a menina faça de você o seu foco, no mínimo você tem que oferecer algo para que isso aconteça. O que você tem oferecido para qualquer mulher nos últimos tempos?
- Vai a merda Fernando! Qual é cara? Tú por acaso acha que tem sido fácil ficar com qualquer uma dessas minas hoje em dia? Elas estão muito loucas cara, não querem nada com nada, ficam com qualquer maluquinho nessas baladas e rejeitam qualquer um que tente dar algo certo para elas. Tú não sabe nada de minas vai por mim! Andar com essas garotas e discutir sobre suas roupas e homens não te transforma em um especialista em mulheres. Ninguém vai entender uma mulher até comer uma. Elas são loucas!
- Sim elas são loucas. Claro que são! Imagine viver cercada de idiotas como você? Imagine não ter nenhuma outra opção já que toda sua carne, foco, mente, vida são voltadas a tentar entender o por que da atração por um gênero tão egoísta.
- Eu...
- Diego, eu me envolvo com homens há tanto tempo que sei exatamente o porque qualquer uma dessas meninas estão fugindo e preferindo continuar perdidas. Elas estão seguindo exatamente suas palavras. Elas preferem rejeitar qualquer maluquinho em baladas, já que elas não encontraram nenhum... meu deus como você é idiota... “algo certo” para elas. Entendeu?

...

- Toma mais uma cerveja gatinho. Fica a vontade, a geladeira tá aberta, só encosta a porta quando você for sair tá?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Sono

Percebi hoje que gosto de insônia.

Dormir pouco me deixa mais acordado. Eu perco uma sequência de barreiras que crio em meu dia e simplesmente estou nele. Nunca fui tão participante do que em minhas 24 horas despertas, acredito que existe uma verdade quando dizem que passamos 1/3 de nossas vidas dormindo. O que me surpreende mais é as horas que perdemos acordados.

Tudo é menos real. Voltar para casa em um ônibus passa em segundos quando você foca sua atenção as pessoas, sons, componentes e o balançar de algumas toneladas de metal que se tornou por alguns instantes todo seu interesse. Então você chega e desce para o caminho da sua casa.

Quebrei meus últimos tabus. Entendi finalmente todos os malditos motivos para o encucar da vida alheia, essa peste bubônica que deveria ser extirpada de todos nós. E a resposta é tão ridícula que me fez rir por poucos segundos, o mesmo que valeu essa epifania.

Anos de erros e uma vida que balança entre pagar contas e esconder a fome dos demais me deixou descrente para momentos bons. Eles existem é claro mas a duração é preocupante. Afinal, quanto posso amolecer e não estar preparado para o próximo soco?

Vinho, maconha, música, lendo um texto bom (muito melhor do que essa pocilga aqui escrita) e em instantes a pele da mulher certa...

Quando voltar a dormir e a insônia for só uma lembrança vou reler isso aqui e tentar lembrar, sem sucesso algum, o que senti.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

XI - Jogo parte 1



Fernando passava pela rua fuçando a lixeira perto do bar Pôr do Sol, hoje era terça-feira e ainda não estava no horário certo para pedir dinheiro, cigarro ou bebidas. A maioria dos estudantes ainda não estavam bêbados ou socialistas o suficiente para tanto.

Encontrou um livro velho e uma caixa rasgada, ela estava cheia de cartas que pareciam baralhos. Tinham mais imagens ao contrário da chuva de corações (vermelhos ou pretos), balões e trevos e eram bonitas, diferentes, achou estranho que alguém jogasse fora algo assim. A imagem da mulher abrindo a boca de um leão deixou seu olhar sereno, era um detalhe que preencheu a fome do final do dia, para diminuir um pouco com a sede ao mirar os copos sendo virados um por um.

- Ei! Ô Bob! Quer uma cachaça?

As risadas em volta soavam diferentes. Não parecia que importavam tanto, a cachaça já não importava tanto mas responder aparentemente valia a pena.

- Tá falando comigo viadinho de merda?

O silêncio era ainda mais bonito do que o rosto deles. Ver o garoto finalmente entender que não era um homem era melhor ainda.

- Me dá essa porra de bebida aqui.

Tomou de um só gole.

- Bota outra.

Bebeu enquanto encarava a namoradinha assustada colada ao moleque. Os amigos não achavam que valia a pena fazer nada além de olhar e pedir a terceira dose antes que ele mesmo terminasse a segunda.

Bebeu a terceira dose, colocou o livro e a carta dentro de sua sacola e então saiu.

- Cuzão de merda. Playboyzinho do caralho.

terça-feira, 17 de maio de 2011

17 de maio

Tenho um problema sério para entender o mundo.

Anos atrás, quando eu tinha dificuldade para dormir, minha mãe deitava ao meu lado e dizia que monstros não existiam. Assim eu cochilava enquanto sentia suas mãos em meu cabelo e podia a ouvir sussurrar baixo que sempre me protegeria.

A mesma mulher estava chorando e me mandando embora de sua casa quando eu disse que estava apaixonado por outro homem. Até hoje fico pensando o porque pedi tantas desculpas. Porque insisti tanto em entender esse monstro a minha frente.

Entro em alguns clichês quando discuto com amigos. Aparentemente os gays são reis de seus lares. Sejam nossos bares, nossos encontros, nossas festas e nossas casas. Aqui reside o espaço permitido para sermos nós mesmos com quem quisermos nos envolver.

Acho engraçado quando ouço que todos somos promíscuos. Realmente existe algum problema nisso? Lógico que queremos nossas pegações, lógico que temos nossas Micarés também, lógico que uma hora isso também cansa e também nos apaixonamos por mais de um dia ao contrário do que discursam.

Imagine viver com medo. Imagine todos os dias colocar um sorriso no rosto o mais largo que você puder para encarar toda a hostilidade direta e indireta que recebemos. Imagine caminhar na rua ao lado da pessoa que você ama e não segurar suas mãos, não te permitirem olhar algo bonito e abraçá-la, sentir o quanto ela também te ama em uma conversa e ter que esperar chegar em casa para beijá-la!

Tenho um problema sério em entender o mundo que vocês pintaram como o seu.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

sexo oral

"Sexo oral é algo sujo. Ninguém deveria ser obriagado a fazer."

Qualquer pessoa que sinta nojo ao chupar quem estiver contigo na cama deveria apenas se masturbar. Ela não merece tocar outro ser humano.

"Conheci um cara que dizia odiar sexo oral. Ele dizia que fazer boquete era coisa de puta."

Provavelmente ele procurava suas "putas"por fora.

"Mas e o cheiro de uma mina incomoda?"

Por acaso você se preocupa com qualquer cheiro que não seja doença ou sujeira? Se você tiver incomodada é mais fácil voltar a ficar com caras. Não é a sua.

"Quem ama chupa."

Mentira! Quem gosta de fuder chupa.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Silêncio

O celular tocou perto das 21 horas e então Adriano resolveu desligar o aparelho. Ficou atento ao silêncio olhando para a casa, seus móveis, livros lido pela metade, peças de decoração que não tinha a menor ideia do porque adquiriu e a garrafa de Jack Daniels que comprou na feira dos importados.

Estava tomando o segundo copo com gelos peludos, daqueles que se funde ao ambiente de nevasca do freezer, quando notou o laptop apitando algum aviso de e-mail. Ato contínuo se aproximou do computador, parou e resolveu só encarar o aviso apitando como um sino estridente e irreal.

Computador desligado, celular desligado. Demorou aproximadamente dois dias para o telefone fixo tocar, achou engraçado imaginar que alguém ainda lembre esse número, apenas ouviu o trim espalhar pela casa até parar e então desconectou o aparelho.

O uísque já havia acabado e não tinha mais nenhum álcool dentro de casa. O cigarro ainda daria para um dia já que sem o álcool ele fumaria bem menos. Por um momento ele hesitou e quase ligou a televisão para tirar aquele silêncio de sua volta.

Amarrou a televisão em sua própria tomada e a deixou do lado de fora do apartamento, nenhum vizinho abriu a porta enquanto ele fazia isso, então voltou novamente para a mesa e acendeu mais um cigarro.

A comida acabou depois de uma semana. Agora a abstinência de cigarro e álcool era apenas uma memória ruim. Quando começou a falar consigo mesmo, rompendo o silêncio, mordeu com força a língua. O sangue e a dor fez ele rir por alguns instantes e então resolveu quebrar sua gilete.

Enquanto sentia o corpo frio e dormente ficou pensando no incrível volume de sangue que uma língua cortada poderia criar. Mas então um pouco antes de adormecer percebeu que realmente fazia sentido ao se lembrar do salmo de Mateus:

“Porque a boca fala do que está cheio o coração”

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Conversa de Bar X

- Ficou sabendo que * tá em um relacionamento a três?
- Aham. É a única novidade que tenho escutado nesses últimos tempos. Ô... Aproveita e me serve mais uma safado.

...

- E aê? O que tu acha?
- Loucura.
- He, he, he. Pô mas o cara se deu bem.
- Aham... muito.
- A fala sério que tu não ficou nem um pouquinho com inveja.
- Fiquei. Pelos primeiros 5 minutos, depois percebi no que o cara tava se enfiando. Esse tipo de coisa não funciona broder. Pelo menos não para mim.
- ...
- É massa quando tú está na farra cara, de bobeira, sem um foco específico. Agora namorando? Isso é suícidio.
- Acho que seria tão divertido quanto solteiro.
- Agora tú falou como o cara que nunca pegou duas minas. E outra não tem nada haver com quando você está solteiro. O foco muda, sua atenção muda, seu tempo e olhar muda. O que você vai fazer dividindo uma vida a trés? Tú realmente é tão evoluído a ponto de dizer que teria a empatia necessária para entender duas mulheres em sua vida? Não estamos falando de irmãs ou amigas. Mermão... nós sabemos quantos deslizes cometemos quando estamos só em dois.
- Porra mas e o sexo?!
- O sexo... Cara o sexo é a mesma coisa. Se você não está dando a devida atenção a uma pessoa na cama como deveria, não pense que o fato de ter outra mulher ao seu lado vai ajudar nisso.
- Mas...
- Mais nada. Me pergunte porque diabos ninguém comenta sobre dividir a porcaria de um cara em uma relação?
- Mas nem precisamos comentar.
- Exato. Porque homem é zela, homem é escroto, homem é competitivo e ops... peraí... Mulheres não?
- Hahahaha.
- Ah... Mas mulheres não tem pau. Mulheres não podem ter uma porcaria de uma rola maior que a sua. Mulheres você e sua mina podem pegar ao mesmo tempo e você nem precisa se preocupar por que, em tese, sua mulher obviamente não quer te "dividir" com "niguém".
- Mas isso é um ponto importante. A mina só gosta do cara dela.
- A mina o que? Não curte rola? Então porque diabos ela tá com um cara?
- HA HA HA HA...
- Sem essa mermão. Sabemos que o cara aceita muito bem isso porque quer uma mina a mais e a mina quer isso por que também quer uma mina a mais. Se um dia comentar sobre colocar um cara e isso entrar em pauta vamos ver se o resultado é o mesmo.
- É duvido um pouco também.
- Só Conheci um maluquinho que tinha essa vibe. Ele e a mina se colocavam para jogo de uma forma surreal e nem se preocupavam com a troca, era só pela pele cara. O filho da puta era viciado em prazer. Não importava com quem. A mina dele com outro cara, com outra mina, com casais... valia tudo.
- Mermão... mas ele pegava outros caras?
- Já tá mudando de assunto. Tá entendendo que o cara realmente não se importava? Tanto que ele não tinha criado um trio, eram várias pessoas, vários encontros, várias ofertas. Na época o cara até me ofereceu dividir a mina com ele e outra vez com uma pessoa que eu estava ficando.
- Nas toras?
- Aham. E mesmo assim eu não quis, já que não estava só ficando com a mina. Tinha muita história envolvida para simplesmente adentrar por esse caminho louco aê.

...

- Acho que na real sou egoísta cara. Não consigo conceber a ideia de dividir minha vida com quem quer que seja. Quando olho para uma mulher quero ter certeza que sou toda a atenção dela enquanto estiver comigo.
- Que inseguro malandro.
- Eu chamo de troca.