quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Detetive ao som de pagode - 2 parte



Acordo com uma dor de cabeça digna de quem apanhou de um trator. Olho a minha volta e tudo que vejo, em meio a um borrão, é algo que identifico com muito esforço ser uma mesa quebrada no lado esquerdo. Tento me levantar e sinto meus rins doendo como se implorasse para que eu continue deitado. Superando a dor eu encaro o espelho a minha frente e acendo um cigarro.


- Maldita ressaca e maldito adiantamento de dois barãos.


...


Tomo uma ducha gelada e viro mais um copo de uísque, desta vez um que preste, junto com dois Engovs. Coloco meu terno, saio de meu escritório e vou para Conic ver o Rodrigo. Desde um último caso envolvendo uma traição pela internet tenho trabalhado com esse mancebo de 20 anos. Ele é dono de uma LanHouse próxima de uma maldita loja de skatistas e por proximidade gosta de se vestir como um deles sem nunca ter pisado em um skate.


Entro na Lan com dois cafés expressos e um saquinho com um enroladinho de queijo e presunto.


- Caramba coroa. Tava na zona ontem?
- Foi... Encontrei sua mãe por lá. Ela mandou perguntar quando você vai visitar o seu pai.
- Meu pai morreu há dois anos Madureira.
- Acho que ela tá com pressa que vocês se encontrem.


No tempo que entrego o café e desembrulho o salgado o garoto já virou o café como se fosse cachaça. Depois fixa o olho na tela e fala sem nem olhar para mim.


- O que você está precisando? Tem o nome da adúltera da vez?
- Meirilucy da Silva Morim.
- Puta nome fudido.
- É duvido que ela use esse nome também. Mas vamos arriscar esse primeiro.


Passa mais ou menos uns 40 minutos enquanto ele começa com seus papos de sempre.


- Cara a cidade é suja e suja todo o restante com ela sabe? Olha os pombos, cães e mendigos. É como se esses animais em estado natural fossem lindos... Quem estraga eles é a cidade cara. Ela que é suja!

- Achou alguma coisa?
- Tem uma tal de Mel Morim. Mas não está exatamente em um exemplo de família.


A tela fica piscando em um tom vermelho escuro. E entre diversos nomes e lingeries eu vejo o nome Mel Morim logo abaixo a uma incrível bunda hermeticamente socada dentro de uma calcinha preta.


- Belas Daqui?!
- É um site de acompanhantes para ricaços. Nenhuma das minas daqui custam menos de 800 contos por programa.
- 800 contos?! 800 contos por uma buceta?
- Oras Madureira! É uma princesinha, quase uma modelo. Vai dizer que não pagaria isso para traçar uma deusa dessas se tivesse grana sobrando?
- Uma buceta teria que me fuder cantando o hino do botafogo para eu pensar em pagar isso.
- ...
- Diz aí qual é o telefone de contato e onde a encontro.


Nenhum sucesso pelo telefone. A menina já não atende e tudo o que eu tenho são algumas possíveis amigas. Horas de telefonemas desperdiçado. Nenhuma das putas diz onde ela está ou se sabem algo sobre ela.


Caminho emburrado pela cidade... algo está errado. A ficha simplesmente não cai. Onde está a maldita menina? Por que escolheu essa merda de profissão tendo um pai com tanto dinheiro...


- Porra Madureira! Tú é uma anta!


continua...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Detetive ao som de pagode - 1 parte.

Uma vez, nem me lembro exatamente quando, li ou provavelmente ouvi que quando estamos próximos de morrer revemos toda a nossa vida. Acho que isso é a maior balela que alguem já inventou. Tudo que estou vendo é uma poça de sangue grudenta e o cheiro de urina com merda em minhas calças. Se alguma coisa em meu passado está vindo a minha mente é: por que diabos eu aceitei a porcaria de um caso que me enfiou duas balas na barriga?

Meu nome é Antônio Carlos Madureira. Tenho um escritório no terceiro andar do Vênacio 2000 e cobro 300 contos para tirar fotos de maridos infieis, fotografar enteados bichinhas e as vezes, com sorte, encontrar alguma criança que fugiu de casa e entregar para os pais. Foi nessa merda que me enfiei quando deixei aquele magrelo fudido entrar em meu escritório.

O homem era um saco de ossos de dar pena. Usava blusas finas, o que deixava sua aparência ainda mais frágil, parecia que com um aperto de mãos o pobre miserável iria desmontar. Mas era bem vestido e se algo em minha ofício me deixa focado são sapatos caros. E ele tinha pisantes bons o suficiente para ouvir sua história.

- Senhor Madureira, eu não sei exatamente se o senhor me conhece.
- Não conheço e nem preciso conhecer o senhor. Vai soltando a rabiola que cobro por hora.

O homem ficou estático por alguns segundos e depois me contou sua triste história. Era um deputado que veio para brasília antes de sua família. Estava montando tudo para saber onde os filhos poderiam estudar e em qual super quadra funcional iria morar após a posse. Dúvidas sobre proximidade escolar, farmácia, hospitais e essas coisas.

- Estranho os hospitais serem em cada extremo nessa cidade.
- Mais estranho são os que ficam no centro. Mas não se preocupe que por esses o senhor nem vai passar por perto.

Então após duas doses de uísque barato, que ele não recusou para minha admiração, ele começou a contar o motivo da visita.

- Tenho uma filha de 16 anos, ela vai fazer 17 daqui a dois meses. Ela ainda estava com a mãe enquanto eu organizava as coisas por aqui e… bom, a última…

O homem começou a chorar copiosamente em minha frente. Já vi muitos homens chorando em meu trabalho, a maioria quando mostro as fotos de pornografia soft caseira de suas respeitáveis senhoras com amantes, mas confesso que um pai chorando pela filha desaparecida era de doer o peito.

- Tem uma foto da guria?

Ele me estendeu com as mãos trêmulos uma imagem de uma ninfeta que era um escândalo. Queria realmente me solidarizar com o pobre a minha frente mas a ereção eminente me proibia tal camaradagem.

- Meu amigo… essa menina é problema. Deixa eu ver se entendi, ela desapareceu em sua cidade certo? Por que está buscando auxílio de um detetive particular aqui? Já falou com as autoridades de sua cidade?
- Procurei. A última notícia que eles tem dela é que Mel, após discutir com a mãe, veio correndo me encontrar. Se enfiou em um ônibus a caminho de brasília e até agora… Eu…

Mais uma montanha de lágrimas que eu ignorei enquanto guardava a foto dentro do bolso sem cerimônias. Era apenas uma questão de procurar alguém que sabia usar aqueles malditos computadores e redes sociais e buscar a menina entre seus amigos. Caso encerrado.

- Certo, tome outro trago. Não se preocupe. Qual é o nome completo da menina?
-
Meirilucy da Silva Morim.

Uma pena que a informação dizia que a menina vinha para brasília. Com um nome escroto desses e com uma aparência de atriz, imaginaria que ela se amotinou da família.

- Fica tranquilo vou dar uma pesquisada e entro em contato. São trezentinhos, por dia, mais os custos adicionais para qualquer eventualidade que possa ocorrer.
-
Sem problema.

O homem soltou 2 barão em cima de minha mesa. Amo políticos.

continua...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Receita de Somen

aprovado por sanseis

Receita de Soooo Men! hehehe... meninas também podem fazer viu?
Grau de dificuldade: Estupidamente fácil.

Ingredientes:

- Um pacote de macarrão Somen (usei metade de um pacote para essa receita, rende bastante)
- Limão
- Shoyu
- Ajinomoto

Modo de preparo (macarrão):

Comece tirando metade do macarrão do pacote e cozinhe na água, já fervendo, por 1 minuto (exatamente o que você leu. basta um minuto para ficar pronto é lindo!)
Depois reserve o macarrão, espere esfriar e leve a geladeira dentro de um recipiente com água filtrada (dica: cubos de gelo aceleram o processo) até que fique gelado. fiz pela tarde para preparar a noite.

Montando o prato:
Após escorrer a porção de macarrão sirva em pratos individuais e misture com o Shoyu, o limão espremido e o Ajinomoto a gosto. Voilá! O restante do macarrão não usado pode ser mantido na geladeira, dentro da água, para montar novos pratos.

Está pronto para servir e ser feliz. Perfeito para dias, tardes ou noites quentes!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Silêncio

Existe algo de magnético em um corredor de hospital é uma aversão tão equilibrada quanto a atração de entrar em um dos quartos e fugir/ver o que está nitidamente tão próximo do que chamamos de futuro.

Eram três da tarde quando após meses de solicitações, galanteios e súplicas resolvi (por conta própria, deixo claro) visitar Arnaldo. O estado dele era crítico, desde o estúpido acidente de moto na curva da entrada do Beirute onde ele não viu o carro que o fechou com uma placa enorme sobre uma festa de final de ano no Pontão, ele não acordava fazia meses e até onde sei cagava em uma fralda e respirava por aparelhos.

Felizmente ele tinha uma família privilegiada. A mesma que pagava os melhores médicos e aparelhos, comprou aquela moto idiota de filme Americano que corria mais do que sabia frear na hora certa.

Só parei de pensar em quanto odiava aquela família ao entrar no quarto da UTI e encontrar a mãe de Arnaldo tocando, o que aparentou a primeira e confirmou a segunda vista, uma punheta para o próprio filho. A imagem que me paralisou de início me fez reparar três fatos:

1 – Arnaldo tinha 35 anos e sua mãe uns 60, o que fazia a cena um absurdo por sí só.
2 – A tarefa era feita com tanto zelo e afeto que me tirou qualquer dúvida de incesto.
3 – O modo mecânico e o detalhe da toalhinha deixada logo próximo ao ventre com lenço de papel e o vidro de soro fisiológico me deixou claro que não era a primeira vez que havia feito, obviamente não da senhora punheteira aqui narrada, e sim do ato no próprio filho vegetativo no leito de hospital.

Ao me notar ficamos ambos estáticos. Eu com minhas flores e ela com a pica. Ambos sem saber bem onde ou o que esconder um do outro. Até que as lágrimas, sempre elas, finalmente deixaram o clima mais brando para que qualquer confissão fosse feita.

Aparentemente, pelo o que ela me explicou, vários homens sofrem de ereções contínuas enquanto em estado vegetativo. Ereções incríveis de dias. Ereções essas que deixam o pobre vegetal com seu falo arroxeado e com varizes por falta de uso ou de solução para seus espasmos involuntários.

Inicialmente ela conversou com os médicos (dentro de seus limites de humanismo clássico) que apenas contaram que poderia passar ou não, com as mais carinhosas das enfermeiras (que obviamente na presença de uma senhora desesperada não diriam nenhum gracejo ou piada sobre ingressos e filas para o espetáculo dependendo do ator representando nessa angústia) que não disseram muito mais que os médicos até que a pobre senhora pensou em duas soluções:

1 – Poderia contratar uma prostituta para aliviar seu filho de tempo em tempo. Tarefa essa rapidamente descartada pelo valor exigido e obviamente pelo rodízio de visitas dada à carência de uma fidelidade da profissional.
2 – Seguir o principio universal do… “Se quiser um serviço bem feito…”

Conversamos por mais umas duas horas, obviamente fora do ambiente hospitalar, onde finalmente a consolei. Tinha a certeza mais do que absoluta que nenhuma mãe haveria de ser tão carinhosa e prestativa para um filho, quase disse que os invejava mas obviamente pela questão levantada mantive esse pensamento para mim mesmo.

Então nos despedimos e finalmente pus em minha cabeça que jamais iria visitar novamente Arnaldo, pelo menos não sem marcar hora antes.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fotos velhas

Um amontoado de rostos falsos sobre uma gaveta e uma máquina que não para de fotografá-los. Queria parar um instante e focar algum sentimento, talvez alguma coisa que não dure entre o avisar e o clique.

- Não posso discutir isso com você Dri. Não tenho tempo, paciência ou qualquer saco para mais uma de suas crises.
- Você tem tempo o bastante para o seu trabalho.
- Nem para ele eu tenho desde que você não parou de falar.

Na primeira semana eu jurei a mim mesmo que estava certo. Era só uma maldita birra, mais uma das várias. Os mesmos problemas de sempre, a lista era enorme e cansativa: Modelos, modelos nuas, festas, minhas drogas, meu trabalho, minhas amantes imaginárias e algumas vezes as reais.

- Você está fora de foco.
- Então pela primeira vez somos dois.

Não importava o quanto eu mantinha o sorriso para as modelos, o quanto eu cheirasse ou fumasse, quantos boquetes eu recebesse após deixar os flashes desligarem e HD descarregando. Na segunda semana eu tive certeza que a perdi.

- O que você quer?
- Quero que você volte.
- Não quero saber disso Diego. Estou melhor sozinha.
- Eu ainda estou com suas fotos.
- Já olhou para elas?
- Claro que sim. Todos os...
- Dê uma olhada nas últimas.

Estava bem ali. Os olhos vazios, tristes. Foi o que disse no nosso primeiro encontro.

- Por que você é fotógrafo?
- Porque as fotos não mentem.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Questão de gosto

- Pensei que essa festa chata nunca ia acabar.
- Você é linda.
- Hum... Valeu a pena mesmo vir correndo para cá.
- Aham. Quer uma cerveja?
- Quero sim. Ah, você ainda tá ficando com a Nati?
- O quê?
- Com a Nati. Você ainda tá ficando com ela?
- Não. Acabou faz um tempão. Toma aqui sua cerva.
- Obrigada. Nossa tá bem mais gelada que aquelas do show.
- Brasília tá foda. Cerveja quente em qualquer lugar.
- Nossa você é gostoso demais! Dá vontade de te morder. Re re re.
- Quer indo pro quarto?
- Te fodo aqui mesmo garoto.
- Você é incrível.
- Bota um som?
- Aham. O que você quer ouvir? Tem de tudo aqui, menos aquela merda de Ramones.
- Como é?
- Tenho de tudo...
- Não, não... O que você disse do Ramones?
- Ah, qual é... Tú curte aquela merda?
- Puts velho... Qual é a sua broder? Merda?! O que você sabe sobre Ramones?
- Pô só não curto muito. Mas relaxa, vou colocar aqui no Youtube e...
- Não sem essa! O que Ramones tem de ruim para tú não curtir eles?
- Olha. Se eu colocar e você cair de boca eu já começo a curtir.
- Aff... Falou babaca. Sabia que a Nati estava perdendo tempo contigo mesmo.
- Ow, ow... Caralho... Que banda fudida da porra!


(texto em homenagem a todos que curtem essa banda fuleira e chamo de amigos)