terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Mistério do Samba



Essa cena termina com um olhar voltado para o passado. Onde essas mulheres foram? O que estavam tocando em suas memórias? Que documentário lindo.

Assista sem restrição.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Detetive ao som de Pagode (parte final)



Eram duas da tarde. A garrafa de conhaque barato estava quase no fim e meus olhos estavam vermelhos, tanto pelo álcool, como pela noite em claro. Esperei dar dez da matina para ligar para a dona. Quando terminei de virar o copo ela bateu na porta.

- O senhor disse que tinha respostas para mim.

Taquei as fotos em cima da mesa. Lá ela poderia ver o garoto se agarrando a outras bichinhas, o ambiente onde vários outros estavam se pegando e ela folheou com uma certa naturalidade, menos chocada do que eu imaginava.

- Já sabia não é?
- Bem... Na verdade.
- Para de drama. Novela eu parei de assistir desde que a Maitê ganhou rugas. Por que me mandou para um caso tão óbvio assim?
- Eu...
- Queria saber se o moleque era uma fruta? Ele é! Queria saber se curte um bigodinho de leite? Ele curte! Esse morde fronha nasceu ao avesso madame. É um viado!

Ela fez uma expressão de chocada e levou as mãos ao rosto após me enfiar a mão na cara. Peguei ela pelo cotovelo.

- O que você queria? Qual a diferença se esse merdinha ganha a grana ou não? Tú está com o pão ganho. Deitar com o ricaço te deu a herança e aposto que é o bastante para financiar as frescuras de vocês dois.
- Você não entende! Eu tinha que ter certeza! Eu tinha que saber!

Ela caiu em prantos. Lágrimas rolando sujando a maquiagem cara, dando um aspecto assustador e mostrando sua idade por debaixo das rugas. Ali tudo ficou claro, a ficha finalmente caiu. Acendi a porcaria do cigarro e deixei a nicotinha ajudar o raciocínio.

- Era ele não era? O amor da sua vida era um viadinho com o rabicó apontado para a lua.

Sua expressão de ódio e tristeza era todo o sim que precisava.

- É madame. Quanto mais perto do avião mais frouxo. Um homem que perde a vida trabalhando para deixar uma herança e não leva o único filho homem a um puteiro, jamais deixou algo do que se orgulhar.
- Eu... Eu simplesmente...
- As fotos e passagens ficaram em mais duzentinhos. Se quiser um psicólogo é no terceiro andar.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Detetive ao som de Pagode (parte 2)



Eram duas da manhã. Eu estava fumando meu Derby com minha samba canção e olhando para a rua. Os carros passavam apressados pela W3 e então senti as mãos pintadas de vermelho sobre o meu ombro.

- Meu amor, você pode dormir por aqui.
- Cirlene, não vim aqui para dormir. Estou em um caso importante.
- Quer que eu busque um trago?
- Uma branquinha, nada de Dreher.

A boneca saiu desfilando com aquele rabo que apenas travecos tem. Gastei 80 pilas para esvasiar minhas bolas e eu sabia que poderia arrancar um pouco mais do que essas duas esporradas.
Quando ela voltou com a cachaça, eu já estava de calças e taquei a foto em cima da mesa. Fez uma cara de desentendida o que me deixa sempre de mal humor.

- Vamos lá boneca. O que você sabe sobre o garoto? Me disseram que conhece vocês.
- Não é meu tipo Carlos, gosto de homens. Esse mancebo cheirando a leite não tem o que eu preciso.

O velho golpe do manjão. Ainda bem que tinha acabado de gozar, senão cairia nesse papinho.

- Não estou aqui para te dar prazer beibe. Conta tudo que sabe.

O tal garoto frequentava a roda. Gostava de jogar conversa fora, preocupado com preservativos, exames de saúdes, agressividades com as vadias. Ouvi meia hora de papo furado e nada que me provasse se ele curtia ou não mulheres. Mas consegui um endereço, parece que tinha uma boate no Conic, que lá poderia confirmar minhas suspeitas.

...

Cheguei ao tal Galeria, descendo as escadas paguei os cinco reais que cobravam para ver um grupo de garotos dançando de camisetas regatas, blusas coloridas e calças coladas. Esfreguei meu rosto e fui direto para o que parecia ser um bar.

- Me dá uma cerva.
- Claro amor.

Sentei e fiquei de olho naquela molecada. Um bando de bichinhas pobres se esfregando uma na outra. Meninas gordinhas beijando umas as outras e em alguns momentos uma troca e pegação sem fim. Acho que por um momento ouvi tocando Xuxa, resolvi pegar outra cerveja.

Já estava desistindo quando vi o garoto da foto em minha mão entrando com um grupo de amigos. Eram mais três adolescentes com ele. Todos magricelas e com rosto pintado. Preparei minha câmera e apontei para a pista de dança.

Depois de duas músicas eles estavam se agarrando como todos os demais. Era simplesmente a pista que eu precisava. Tirei várias fotos, o flash nem fez diferença em meio as luzes da pista. Depois de um tempo o garoto veio até o bar pedir algo para beber.

- Preparando a garganta ô afeminado?
- Como é que é?!

Peguei o moleque pelo braço e arrastei ele até um canto.

- Escuta aqui ô boiolão! Você tem merda na cabeça ou o quê?
- Ai me solta! Você tá me machucando cara.
- Machucando é o caralho! Porra! Teu pai acaba de morrer e tú cospe no túmulo dele?
- Do que você está falando? Você conheceu o meu pai?
- Não e nem quero conhecer um merda que fez um filho frouxo como tú. O cara tá te deixando uma barbada e você vai deixar tudo a perder para ficar cheirando bago de homem?
- É minha vida! Eu faço com ela o que eu quiser!
- Sabia que seu pai não vai deixar nem um centavo para você por conta dessa palhaçada?
- Eu nunca quis nada dele!

Deitei um tapa na orelha do moleque e sai daquele antro. Tinha ainda que ligar para a viúva e mostrar a porcaria das provas.

Conclui na próxima...

Nosso tempo

Somos criaturas covardes, estamos presos constantemente em duas instâncias que não deveriam nos atingir.

Temos medo pelo futuro. O pagar de contas, investir em alguém, do fracasso, hesitações, não ser bom o bastante, conseguir concluir seu curso a tempo, estar apto ao mercado de trabalho, ser demitido, crises que podem surgir, envelhecer e morrer.

Temos também medo do passado. O que não fizemos, falhar com seus pais, não estar a altura do que foi ensinado, escolhas erradas, pessoas que podem apontar suas falhas, erros, crenças, traumas, amores perdidos, paixões não existentes, livros não lidos, educação deturpada e nossas memórias.

Dificilmente estamos com nossos olhos fixos no presente. E essa falta de foco, essa permanência de olhar para trás ou sonhar com o amanhã é perder o único tempo que temos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

QI de gênio

Essa semana acabei lendo sobre o jovem Oscar Wrigley, o jovem gênio de 2 anos e cinco meses com o QI igual ao de Eistein. Fiquei chocado com a notícia. Não tinha a menor ideia que ainda se fazia testes de QI. Mas passado o choque pensei na evidência dessa notícia.

Quantos Oscar Wrigley nascem no interior do Piauí? Será que alguma mãe no nordeste da China, em um recanto da cidade de Julin, sabe que possui um Oscar Wrigley bebendo água contaminada? Ou talvez em meio ao cuidado do pastoreio em Daikondi um Oscar Wrigley esteja sendo embalado pelo tecido de sua mãe?

Segundo a BBC de Londres, nosso felizardo gênio está na categoria de apenas 2% da população mundial. Isso estima aproximadamente 132 mil pessoas em um mundo de 6,6 bilhões.

A probabilidade é algo extraordinário. Agradeço a casualidade por esse gênio nascer em uma boa família e aparecer nos jornais do mundo. Do contrário ele não teria a alimentação necessária para desenvolver seu cérebro o suficiente para decorar 600 palavras. Não, ele estaria aos cinco anos sofrendo de inanição em uma terra estéril, ou tendo sua genialidade resumida e traçar couro em jumentos selvagens.

Quem pode me convencer que ele será mais feliz em terminar sua faculdade aos 12 anos de idade? Quem pode me dizer alguma palavra de consolo que cale a multidão dos 131.999 que nesse momento, talvez por serem espertos demais, estejam se misturando em meio ao restante de nós?