quinta-feira, 15 de maio de 2008
Quem dá mais?
Quem de certo conhecia o Brasil, que conhecia o enorme verde de nossa bandeira, hoje sai de sua área de atuação para que o Brasil atue como desejam os Democratas.
Sai de cabeça erguida em uma batalha que não teve fim, e nem terá, enquanto sobrar uma menina pobre que possa sonhar em se educar, alcançar a posição de olhar nos olhos dos que destroem sonhos e patrimônios.
Agora comecemos, pelo bem do desenvolvimento, pelo futuro, pelo PAS nas mãos da rapinagem...
Que comece o cata-vareta.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
?
a coleção cuidadosamente feita
para ouvir com ela hoje se escuta sozinho
Acenda seu baseado, limpe as taças de vinho
marcadas como os lençois e sua pele
e tente sorrir ao menos
Nobody sees when you are lying in your bed
And I wanna crawl in with you
A faixa entra propositalmente ao descer
de suas lágrimas, de suas memórias
mesmo sem entender
Sorria e agradeça o valor da escolha
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Mesa de Bar II
- Bárbara é uma vadia.
Nessa mesa de bar, atraindo olhares dos homens ao lado, estão conversando um grupo de amigas: Helena, Camila, Cíntia e Bárbara. Elas sentam juntas para beber desde o segundo grau e foram aumentando e trocando os integrantes com o passar do tempo, troca de namorados, entrada na faculdade, trabalho... Hoje elas estão reunidas, quase todas, Bárbara saiu para ir ao banheiro.
- Qual é Helena... Só porque ela está ficando com o Diego?
- Não por isso Camila. Mas por que eu conheço a Bárbara há muito tempo, sei que ela vai acabar sacaneando com ele.
- Eu odeio essas conversas. Toda vez que sento com os meninos ele sempre dizem que quando nos reunimos é para falar de homens. Será que poderíamos uma noite sair desse clichê?
- Eu...
- Não é nenhum clichê. – Helena corta, antes que Cíntia fale alguma coisa. - Não estou falando de homens, estou falando da vadia da Bárbara.
- Sim Helena. E a pauta toda é por conta do Diego. Por que está tão preocupada? O Diego sabe com quem está se metendo. Aliás, foi ele que vivia em cima dela.
- Acho melhor vocês falarem baixo porque a Bárbara está voltando.
- Meninas... Aquele banheiro é um nojo! A maioria dos caras que conheço não ficariam mais com nenhuma menina após entrar naquele banheiro. O que essas mulheres comem? Que nojo.
Um cara chega à mesa e olha para as quatro amigas, ele decide focar o interesse a mais chamativa da mesa, Bárbara, e aponta seu cigarro.
- Tem fogo?
- Tenho sim.
- Obrigado.
- De nada gatinho.
Ele volta para a sua mesa e a encara por mais alguns instantes.
- Pronto. Agora ele vai ficar me olhando a noite inteira esperando que eu vá até sua mesa e o puxe pelos cabelos para ficar com ele. Cambada de meninos frouxos esses.
- Verdade. Eu odeio quando eles fazem isso.
- Como se algum deles já tivesse feito isso com você Cíntia.
- ...
- Por que você está ficando com o Diego? Por que você está ficando com ele Bárbara?
- Porque ao contrário de você Helena, eu tive coragem de chegar nele.
- Vou ao banheiro.
- Vai
- Meninas, vocês já estão bêbadas. Cíntia senta aí! Helena vêm, vamos sair um pouco.
- Vai defender ela Camila? Por que você nunca fica do meu lado?
- Eu fico do seu lado sim. O problema é que você está bêbada e não consigo suportar gente bêbada. Ainda mais quando começam a falar merda para minhas amigas.
- Ah, então eu não sou sua amiga?
- Caralho. Vocês duas são. As duas são minhas amigas! Quer saber? Vai à merda Bárbara, vão a merda as duas! Toma aê meus 10 contos. Vou embora.
- Puxa, olha o que você fez Bárbara.
- Cala a boca Cíntia. Como se eu tivesse dito algo errado. Falei Helena?
- Parece que você me conhece tão bem não é? Esqueceu quem ficou te alugando para ficar com o Diego? Eu fiquei no seu pé durante três semanas.
- E agora que estou ficando com ele, vai ficar me censurando?
- Só quero que você o trate bem. Diego está apaixonado por você.
- O problema é que ele é grudento Helena. Não suporto cara que fica me ligando para saber se dormi bem.
- O Diego te liga para perguntar se você dormiu bem?
- Liga sim Cíntia. O tipo de homem que você adoraria ter.
- Ele é meu amigo Bárbara. O amigo mais leal que eu tenho. Não quero é ele sofrendo por sua causa. Ele gosta mesmo de você. Por favor, cuide bem dele.
- Você é uma idiota Helena. Diego é o tipo de homem que gosta de levar chifre. Será que não percebe isso? Carinhoso demais, gentil demais, babaca demais. Eu vou ser a mulher que vai mostrar a ele como ser homem. Que mulheres não gostam de homens assim.
Bárbara bota seus 20 reais na mesa e levanta. Sorri para o garoto na mesa em frente, lhe dá um beijo e sai para seu carro com ele a seguindo.
Cíntia passa a mão nos cabelos de Helena e ela se encolhe quando ela a toca.
- Helena... Eu gostaria de um cara como o Diego. Na verdade eu sempre o achei muito bacana e bonito. Mas sei que não teria nenhuma chance com ele.
- ...
- Helena? Você está chorando?
As duas amigas estão abraçadas e o garçom se desvia da mesa. Algumas meninas da mesa ao lado estão rindo.
- Eu o amo Cíntia. Eu o amo demais! Só percebi isso agora.
- Fale com ele Helena. Aposto que Diego ficaria com você.
- Não entende? Quando Bárbara terminar com ele, tudo vai estar mudado. Ele vai ser como todos esses babacas.
- Por quê?
- Porque ele vai sofrer Cíntia. E eu terei que o ouvir maltratando outras meninas para se sentir vingado.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Um mestre se despede
E uma sensação de tê-lo conhecido tarde demais me consumiu por alguns instantes, um breve minuto que se tornou um sorriso em outro instante.
Fiquei feliz por conhecer o homem que apenas ensinava música, sem pré conceitos por seu direcionamento partidário, sem o político, apenas o apresentador do programa "Quem tem medo da música clássica" da Tv Senado.
Todos aprendem a cada programa um pouco sobre enormes mestres da música clássica, seu movimentos, instrumentos, compositores e obras. Sei que em breve o Teatro Nacional irá preparar um concerto em seu nome, em sua homenagem.
Sei o quanto aprendi com ele. O quanto estava certo que quem não tem música, padece de vida interior.
em memória a Artur da Távola
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Desclassificados
Cabisbaixo, o menino que guarda os carros debaixo do prédio aonde trabalho, estava com a camiseta do flamengo enquanto comia um sanduíche de pão francês.
- Só time de fora para tirar o flamengo né?
Sempre que tem jogo a gente troca umas palavras, mas foi a primeira vez que vi ele com olhos vermelhos.
Estava vendo o jogo até o 2X0, depois disso estava transando e não pude ver o resultado final. Mas como não ouvi nenhum rojão e senti uma cidade mais silenciosa que o normal, tive para mim que estávamos desclassificados.
Cheguei ao trabalho com a camiseta do Flamengo, prometi que a usaria ganhando ou perdendo e a ironia me fez usar em um jogo ganho deixando verdades absolutas tornarem-se sonhos.
Teria sido o comemorar do domingo? Encheram tanto a cara assim? Comeram putas demais? A enorme vantagem subiu a cabeça? Porra... Logo no Maracanã galera? Sujeira... Muita gente voltando para casa, muitas mulheres para apanharem de seus maridos, muitas brigas em bares, talvez algum assassinato.
Agora é desforra. É ouvir os botafoguenses sacaneando, críticas sobre a ilusão coletiva flamenguista, ler uma penca de blogs falando contra e fazer o inverso. Gritar em plenos pulmões que aprendeu a gostar tanto, mas tanto desse time, que torce e grita Flamengo até quando perde.
É meu caro... Bem vindo ao papel de torcedor. Seque as lágrimas e siga em frente.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
A camisa 11
Estive semana passada no Cruzeiro, buscando um novo apartamento para morar. Este bairro tipicamente carioca, dentro de brasília, me atrai por memórias e as pessoas que fazem parte dela e uma cena em uma de suas quadra me fez rir demais.
Um casal de namorados que não deveriam ter mais do que 14 anos estavam discutindo depois da escola (os dois estavam de uniforme). Aparentemente ele havia feito uma enorme cagada e a menina magoada, não dava nenhum sinal de perdão aos seus apelos, pegou sua mochila, seu fichário e foi saindo de nariz
“Tereza! Depois de você, bem depois... Só o Flamengo Tereza!”
...
Este domingo de 04 de maio, vai ficar marcado para mim. Sempre escuto uns coroas falando de datas especiais de futebol, de quando seu time jogou para caralho e teve grandes conquistas. Ontem foi um dia como este, o Flamengo consegui ser Bi-campeão pelo campeonato carioca em uma campanha que está deixando saudades no partir de Joel-Patuá-Cachaceiro-Prancheta-Santana.
Como toda a vitória de final de campeonato deveria ser, essa não foi fácil. Tudo parecia ganho, um gol de vantagem até que Bruno lembrou que não tinha almoçado antes da partida devorando aquele maravilhoso frango. Tenho para mim que isso apenas foi praga de goleiro usando qualquer número que não seja o 1, deixe isso para o Rogério Ceni porra!
Tudo igual até que no segundo tempo, até a substituição do mestre Joel e a entrada daquele que já não tem mais nome além de “O iluminado”. O baiano Obina deixa a vantagem para o Flamengo, põem o Maracanã no chão calando o Botafogo nos primeiros 3 minutos e criando o hino de Bi-campeão antes mesmo do fim do jogo.
Bruno compensa com sua camisa verdadeira e suas defesas, assim como Tardelli e Obina marcando mais dois lindos gols antes do jogo acabar. Assim marcam a confirmação do Bi-campeonato no 3x1, para ninguém dizer que ganhou somente por conta da vantagem.
Seria um dia feliz para quem está apaixonado pelo futebol e amando o Flamengo, mas receber uma camiseta com o selo do clube de regatas e o rasgado 11 nas costas... Isso beira a premonição e quase fez esse idiota cair
Quanto a Tereza? Sim. Ela voltou sorrindo para o seu flamenguista arrependido. Salve Jorge!
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Cafajeste
Desclassificado adj. 1. Que não teve classificação. 2. Indigno de consideração social.
(fonte: Dicionário, Aurélio Buarque de Holanda)
Tenho me sentindo perdido nesses últimos dias, andando de um lado para o outro e deitando em diversos leitos para acalmar minha sede e tentar estar em harmonia com novas ou antigas amantes.
Ultimamente tenho escutado que não deveria iludir as pessoas, que nenhuma mulher deveria ser tratada de outro modo que não seja a prioridade aos olhos de um homem. Concordo com isso. Jamais trate uma mulher como uma qualquer, trate-as como especial enquanto estiver com elas, que ela seja a única aos seus olhos e toques o tempo que durar. Mas não entendo a prioridade. Esse conceito egoísta é que eu não entendo.
Está em paz ao meu lado? Gosta de nossos momentos e da liberdade que te dou para ser quem queiras? Por que me cobra que seja inteiramente seu? Por que não posso sair de sua casa, comer na de outra o tempo necessário para recuperar a carne e iniciarmos um novo pleitear de nossos corpos?
Sou um eterno apaixonado pelas mulheres que passam em minha vida. Qualquer mulher com quem divido minha cama tem minha inteira devoção, seja para o desfrutar de seu corpo ou o nublar de seus pensamentos.
Terá minhas sinceras e falsas palavras. Cada uma aos seus interesses, modos e momentos. O peito que pousa para dormir, o corpo que te abraça enquanto sorri ou esconde lagrimas pela noite, será seu enquanto não acordar. Será seu até que me digas que precisa ser somente seu. E então irei partir enxugando lágrimas e escondendo as minhas.
Queria jamais ter sofrido uma desilusão que me permitisse ser somente de uma novamente. Adoraria o envolver displicente de seus amantes que tanto reclamam em meus braços. Quem sabe passar incógnito e não ser o ideal de seus sonhos? E assim quem sabe, não me chamaria de cafajeste.